LOGO ELAS QUE SÃO AS MÃES DOS FILHOS DO FUTURO
Por Erian Ozório

Por Erian Ozório

Estou aqui a pensar todos os dias se é possível sensibilizar mulheres do mundo inteiro para conectarem-se mais com a política. Mulheres de todos os continentes, presenciando aqui e agora os horrores do mundo.

Cada uma de sua forma tem contribuído para o bem comum, realizando trabalhos paralelos, alternativos ou mesmo no âmbito da família: são duplas jornadas, triplas jornadas, vida intensa e o tempo é curto, não dá para se dedicar a mais uma tarefa de cuidar de um círculo maior de pessoas.

Como vão se ocupar da balança entre homens e mulheres que governam esse mundo?

Quando foi o momento em que os homens não usaram da força física para promover tanta intimidação para com as mulheres? Em que tempo essa paridade foi possível sem que existisse ameaças de sobreposição de ações?

Entre nós, existe um sentimento compartilhado de um mundo muito violento contra as mulheres, seja na política, nas instituições, na religião, em toda parte a presença dos homens é tão forte que dá uma certa preguiça de mover-se em direção a política, tão ostensivamente masculina. 

Em uma pesquisa pessoal, fui às ruas e perguntei a diversas mulheres “Você vai se candidatar? Qual seu partido? Já escolheu?” Assim, foram pegas de surpresa. Um riso sem definição responde: “Não quero me envolver com política…tenho medo…não posso…nem pensar…nossa nunca pensei nisso…Deus me livre”. E por ai vai.

Porém, fazendo uma avaliaçã rápida: quando em toda história humana, tivemos mulheres tão informadas, conectadas, que estudaram tanto, que adquiriram seus saberes em todas as áreas do conhecimento? Nunca antes na história da humanidade!

O cuidado com o outro e com tudo a sua volta, o afeto, a solidariedade, compaixão, o sentimento de fraternidade e amor ao próximo é, contudo, exercido com mais frequência pelas mulheres que – mesmo vivendo nessa sociedade embrutecida – costumam recorrer a esses sentimentos com mais facilidade.

Aos homens, resta um fardo histórico muito pesado para arrastar. A responsabilidade de provedor de tudo, para além da casa, da família, ocupado ainda da vida pública e dos interesses comuns da Municipalidade, do Estado ou da Nação.

Foram esses estereótipos que nos fizeram caminhar para o abismo do atual modelo de sociedade.

É óbvio que as mulheres estiveram lado a lado com os homens construindo e colocando cada tijolinho para aumentar esse muro de intolerância e injustiças sociais. Porém, o papel ativo é o dos homens.

Aos homens é delegado esse poder e as mulheres é delegada a tarefa de educar os filhos e a reproduzir o machismo, que começa em casa e extrapola para sociedade como um todo.

Como se fosse uma variação memética,  que é o processo em que uma ideia ou meme muda conforme é transferido de uma pessoa para outra, seguimos perpetuando esse poder supremo, só que muito lentamente e pode ser que até lá muito tenha se perdido pelo caminho. 

É preciso compreender o que queremos mudar nesse nexo de tempo para estrategicamente, aqui e agora, iniciarmos os processos que vão nos conduzir às mudanças mais profundas que queremos alcançar.

Precisamos nos dedicar a um estudo minucioso e cuidadoso para enxergar esse futuro. O que vai nos mover nessa direção talvez seja o amor que nos une e que faz a vida fazer sentido. O mais nobre dos sentimentos pode ensinar o caminho. Fica mais difícil contar com os corações embrutecidos dos homens que comandam o mundo hoje, mas temos a opção dos corações femininos que estão prontos para dar esse salto.

Diante de tão poucas possibilidades, temos baixa representatividade no campo da política. Somente 10% de mulheres estão concorrendo a cargos políticos, mas 52% do eleitorado é de mulheres.

Portanto, são elas que colocam os homens no poder, deixando de fora aquelas poucas que buscam representa-las, muitas vezes até capacitadas e habilitadas do que os candidatos.

As mulheres tem optado por ficar somente acompanhando de longe e torcendo que caia do céu o milagre de dias melhores.

Logo elas que são as mães dos filhos do futuro.